Sobre

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“(…) a fantasia dá à vida um brilho e uma coloração que o olhar muito racional destrói. Fantasia não é um capricho do ego, algo sem sentido, mas emerge realmente das profundezas; constela situações simbólicas que dá à vida uma significação e uma realização das mais profundas.” (Marie-Louise von Franz)

Quando eu era criança, minha mãe comprou um grande livro de contos de fadas, completamente ilustrado, e lia para mim todas as noites. Ela sempre me incentivou a ler, então nossa casa vivia cheia de livros e revistinhas e, antes de dormir, reservava um pouquinho do seu tempo para me contar histórias. Eu era uma boa ouvinte, mas logo cansei de estar somente no papel passivo.

A vontade de criar e contar as minhas histórias surgiu ainda na minha infância, e acredito que devo isso a minha mãe. Eu gostaria de fazer por alguém o mesmo que ela fazia por mim, e logo pensei nos meus primos pequenos. Por causa deles, pedi aos meus pais para me comprarem caderninhos e, neles, passei a narrar as minhas brincadeiras na escola de uma forma mais fantasiosa. Ainda guardo meu primeiro caderno até hoje.

A brincadeira virou hábito. Criança solitária, pré-adolescente que vivia dentro de casa, foi através de cadernos e lápis que me desligava do mundo real e entrava na minha própria realidade. Escrever as minhas histórias era a minha diversão particular, meu refúgio. Meus personagens eram, como são até hoje, meus amigos, as pessoas que mais adoro no mundo e de quem falo com a convicção de que realmente existem. Mas, que nem na minha infância, eu precisava dos meus ouvintes e comecei a emprestar os meus cadernos para as minhas amigas, que liam meus escritos e colocavam comentários nas últimas páginas, dizendo o que mais estavam gostando e me incentivando a continuar. “Você escreve muito bem, continue assim!”

Na adolescência, comecei a pensar na escrita de uma forma mais séria. Superando a timidez, passei a cogitar em transformar aqueles amontoados de palavras em livros e viver de contar minhas histórias, como a boa barda que sempre fui. Foi desse desejo que, aos meus dezoito anos, consegui transformar meu sonho em algo palpável e nasceu Yume. Estávamos no ano de 2011 e aquele foi o início de uma jornada que prossegue até hoje, cheia de altos e baixos, tristezas e alegrias e muita, muita luta e perseverança.

Hoje, como escritora indie que reserva 80% do seu tempo para as palavras (os outros 20% se dividem entre o design e o estudo de línguas estrangeiras, minhas duas outras grandes paixões), continuo criando histórias e transformando-as em livros, num processo árduo, porém cheio de magia. Os livros são meus círculos de contação de histórias; as palavras, o meu alaúde. É para você, meu querido leitor, que produzo. Sente-se comigo para, juntos, ouvirmos uma boa história.