Sobre 2016 e umas coisas mais

(AMIGA, SE CONTROLA!)

2016 foi um ano bem ruim para várias pessoas. Para mim, em partes.

Costumo dizer que 2015 foi um ano em que eu não vivi, tanto que passou em branco na minha vida. 2016 foi o contrário, eu vivi intensamente: crises de ansiedade severas, 17 horas fora de casa diariamente, um trabalho que não me trazia nenhuma satisfação profissional ou pessoal, uma faculdade que consumia minha alma mais do que eu gostaria, e várias passagens no hospital para tomar umas injeções básicas de Fenergan. Minha pele papocou de uma forma que, em toda uma vida convivendo com TAG, nunca havia acontecido. Não gosto nem de lembrar.

Mas mesmo com essa parte bastante ruim, houve os seus bons momentos. Ter me formado e me ver livre da pressão que a faculdade é foi o ponto mais alto do ano. Eu não vi minha formatura como um momento feliz, de transição, final de ciclo ou nada do gênero: vi como uma carta de alforria que libertava grande parte do meu tempo para me dedicar a outras coisas, inclusive à minha saúde. Se eu olhar por esse lado, posso dizer com convicção que fiquei muito satisfeita por ter me formado.

E mesmo tendo de lidar com a pior crise de ansiedade da minha vida, consegui encontrar um ponto positivo nisso. Se não fosse por ela, talvez eu jamais tivesse me dado a oportunidade de me conhecer melhor. Comecei uma terapia que não apenas me respeitava, mas que também me fazia questionar várias coisas que sempre aceitei sem muita resistência. Aprendi que, acima de qualquer coisa, o mais importante é entender como você funciona e como você pode se respeitar nesse processo. Autoconhecimento foi o maior presente que 2016 me trouxe, mas não sem antes ter muito sofrimento e muito desgaste físico e emocional.

(porém, se me perguntarem se valeu a pena, ainda vou dizer que não. Preferia não ter me machucado e me maltratado tanto por causa disso)

Também não posso deixar de mencionar: ter voltado ao mundo dos livros foi muito, muito gratificante. Saber que posso escrever mais uma vez, sem a preocupação de “olha, isso não vai te dar dinheiro” e sem a pressão de ter de publicar algo novo a cada ano, trouxe uma sensação de paz que jamais imaginei. Assim como me dedicar a outras coisas na minha vida que eu sentia tanta falta, como os meus blogs, a fotografia, a literatura, o estudo de línguas estrangeiras. É um sentimento parecido com um “voltar às origens”.

No resumo: 2016 foi um ano bom? Não, não foi. Mas me trouxe muitos ensinamentos que vão me preparar não apenas para 2017, como para todos os que virão a seguir. Apesar de tanto sofrimento, me sinto tranquila por ter um pouco mais de autonomia sobre mim.

E vamos em frente.

Feliz ano novo para todos.

[Fisheye] Tudo o que você precisa saber sobre financiamento coletivo

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Uma semana atrás, comecei a campanha de financiamento coletivo de Fisheye. Ainda faltam quase dois meses para o projeto encerrar, mas já estamos com 73% da meta arrecadada! Uau! Muito obrigada, galera! Vocês são demais <3
Porém, por mais que a campanha esteja sendo um sucesso, ainda vejo muitas pessoas sem compreender direito o que estou fazendo e o que é financiamento coletivo. Por essa razão, resolvi fazer um post bem rápido para explicar isso.

Em poucas linhas, financiamento coletivo (ou crowdfunding no original em inglês) é uma arrecadação de fundos para projetos, sejam eles criativos, como é o meu caso, empreendimentos, ações sociais e por aí vai. É uma ideia baseada na economia colaborativa (saiba mais sobre isso clicando aqui), em que as pessoas se identificam com aquilo que você está propondo e contribuem financeiramente com quanto podem para tirar a sua ideia do papel. O Kickante, uma das plataformas brasileiras de crowdfunging, fez um vídeo rápido e didático sobre o assunto.

Uma das marcas do crowdfunding é a troca: as pessoas contribuem e recebem recompensas por isso, o que ajuda na conexão entre apoiadores e o seu projeto. No caso de Fisheye, por exemplo, meus apoiadores são retribuídos de formas diferentes dependendo do valor da sua ajuda: eles podem receber o PDF do livro com seus nomes nos agradecimentos; ou o livro com pôsteres, marcadores e “não-perturbe”, ou até mesmo ter o logotipo da marca deles na impressão! Quando algumas pessoas não conseguem compreender muito bem como funciona, costumo explicar que é como se você comprasse meu livro na pré-venda e, de quebra, ainda levasse uns mimos muito maneiros.

O financiamento coletivo, como deu para perceber, funciona sem burocracias. Você não precisa, por exemplo, bater na porta de bancos pedindo aquele empréstimo para a sua ideia ganhar forma – muito pelo contrário, você entra em contato direto com seu público-alvo para convencê-lo a apoiar a sua campanha. Deu para perceber que, apesar da falta de burocracia, é algo que dá um bocado de trabalho, né? É preciso suar muito a camisa para conseguir conquistar apoiadores, montar o planejamento e estar sempre online. Além de tudo isso, tem o grande fator de que nem sempre é fácil pedir ajuda. A minha diva maravilhosa Amanda Palmer foi essencial para mim no momento em que decidi fazer a campanha para Fisheye. Olha aí o que ela disse na incrível palestra dela para o TED:

Espero ter conseguido explicar um pouco mais sobre o que é financiamento coletivo e como ele funciona. E, para não perder o costume, acesse a minha campanha aqui + leia o primeiro capítulo de Fisheye aqui.

Obrigada a todos! <3

Um processo criativo nada aquariano

Que eu escrevo desde pequena, a maioria aqui sabe. Mas quando eu era mais nova, as coisas simplesmente surgiam. Nunca parei pra pensar em coisas como processo criativo, brainstorming, chuva de ideias e por aí vai (até porque eu nem tinha noção do que isso era). Eu simplesmente sentava, pegava meus cadernos e deixava o negócio rolar.

Foi mais ou menos na época em que concebi Outubro que senti uma necessidade de me organizar (comecei a escrever Outubro com 17 anos, concluí com 18). Quem leu sabe que a história é intercalada entre momentos do passado e do presente, e isso exigiu de mim um modo diferenciado de trabalhar. Eu sabia o que queria dizer e como, mas precisava encaixar as coisas de modo que tudo fizesse sentido naquela linha cronológica. Foi a partir daí que adotei as listas para nunca mais abandonar.

(Tó, faz tudo isso aê)

Não sou e nunca fui uma pessoa cartesiana, mas um pouco de organização foi necessário para que eu conseguisse transformar as minhas ideias em textos. Então, basicamente as coisas acontecem da seguinte forma:

  1. Eureka!: tudo começa com música (é sério, eu não tô brincando). Normalmente, as ideias chegam depois de eu escutar algo que funciona como um gatilho, acionando aquela área do meu cérebro que o faz trabalhar incansavelmente. Preciso assumir que viagens de ônibus são ótimas para isso, porque é geralmente sentada perto da janela, com 0 nadas para fazer, que começo a criar universos, cenas, personagens e por aí vai.
  2. Bora anotar, minha filha?: eu anoto – e muito. Se não estiver com papel e caneta por perto, preciso perturbar meus amiguinhos pelo Whatsapp (te amo, Karol!). O cérebro é falho, e já perdi muita ideia maneira por causa disso. Em Fisheye, que passou por várias alterações, saí anotando o que aparecia em qualquer coisa onde pudesse escrever (sair catando essas anotações foi o lado difícil). Essa seria a fase do brainstorming propriamente dita, que é quando as coisas chegam sem muita lapidação.
  3. Listas: e é aqui que reside todo o meu quebra-cabeça. Desde Outubro, quando adotei o método de listar o que quero que aconteça e em ordem cronológica, nunca mais abri mão desse artifício. Inclusive, eu não consigo mais começar uma história se não souber por a+b o que vai acontecer. Começo colocando uma vaga ideia do que imagino, encaixo em capítulos e vou desenvolvendo tudo bem bonitinho. É só depois desse processo que sento a bunda na cadeira e vou escrever.
  4. Os extras: me ajuda bastante montar as playlists das histórias (já disse que música é meu motor criativo, né?) e pastas no Pinterest com referências. Isso me permite visualizar os personagens (encaixando, por exemplo, rostos de atores neles – o famigerado dreamcast), coisas relacionadas àquele universo, as roupas que eles usam e esse tipo de coisa. Parece meio louco, mas é um diferencial absurdo na hora de criar. Assim como designers e desenhistas precisam de alguma base, eu também necessito – e muito – de referências visuais!
    Outra coisa muito importante: antes de desenvolver algo, dependendo do tema, estudo bastante. O maior exemplo no momento é Fisheye. Para compor a Ravena e toda a problemática em torno da doença dela, entrei de cabeça no universo da Retinose Pigmentar. Conversei com pessoas que possuem a doença, participei de grupos dedicados a debates sobre o tema, fui ao Instituto dos Cegos da minha cidade, falei com médicos, me submeti aos exames que são necessários para detectar a RP… Me aprofundar nisso me deu mais propriedade para trabalhar a doença e dar mais verossimilhança à história da Ravena.

Basicamente, é assim que a coisa funciona para mim. Não sei se alguém aqui tem um método parecido com o meu, mas gostaria muito de saber como é o processo criativo de vocês! Afinal, é sempre bacana saber como a chuva de ideias chega para cada um =)

(Obs: amigos já me disseram várias vezes, ao verem meus caderninhos de ideias, que sou muito organizada. Eles não dizem o mesmo quando entram na minha casa)

Um amanhecer diferente

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(encontrei no Pinterest e não havia o nome do fotógrafo. Quem souber, por favor me avise)

Já faz quase dois meses que saí do meu emprego. Troquei a estabilidade de trabalhar 40h semanais, com benefícios e salário assegurados mensalmente, para voltar a estudar em período quase integral e ser freelancer. Foi a decisão mais arriscada que fiz e não foi tão bem recebida a princípio. A aceitação só se deu porque falei que iria retomar meu curso de Letras na Universidade Federal do Ceará. Soou menos inconsequente.

Talvez seja a culpa desse sol em aquário ou porque não sou o tipo de pessoa que se enquadrou no modelo esperado de profissional. Gosto de trabalhar ao meu ritmo, dentro dos meus horários, vestida com um pijama velho enquanto canto Wuthering Heights a plenos pulmões e faço dancinhas estranhas. Sem maquiagem obrigatória na cara, livre para aplicar os conhecimentos que adquiri durante meus anos de estudo. Dinheiro virou sinônimo de instabilidade e economia – muita economia, principalmente se você já é emancipada. Ainda assim, acordo satisfeita como jamais fui na vida.

Levanto cedo todas as manhãs e divido meu tempo entre estudar, revisar, trabalhar como social media e… escrever. Sim, eu ainda escrevo, mesmo depois de quase dois anos renegando este trabalho por conta da sua instabilidade. Mesmo depois de ter escutado que investir integralmente nisso não seria muito inteligente da minha parte. Ao abraçar essa postura, era como se eu estivesse negando e assassinando um lado meu que sempre existiu, tentando me convencer a não levar aquilo adiante porque… Bem, eu era adulta e adultos precisam se preocupar com coisas reais. Escrever não me garantiria pagar as contas ao fim do mês, foi o que me disseram. Não importava quantos autores eu conhecesse que já levassem suas vidas tranquilamente, vivendo dos seus livros: aquilo não era para mim.

Eu acreditei nisso por muito tempo – até esse mês, quando voltei da Bienal com uma bagagem de vivências que me mostrou que talvez eu estivesse um pouco equivocada.

Viver só de escrever, na minha realidade, ainda não dá e isso é um fato – principalmente sendo autora indie, que depende das vendas da Amazon para gerar algum lucro. Mas é possível encaixar uma rotina de produção literária dentro das minhas condições. É possível acordar cedo, abrir o Word e falar: “Ok, vamos começar!”. É possível criar um plano de divulgação dos meus livros e daqueles que ainda estão por vir enquanto concilio outros jobs. Nada é tão preto no branco como eu imaginava que seria alguns anos atrás.

Eu só percebi isso depois de me violentar muito. Sentar na frente do computador cedo da manhã e ligar o Word nunca fui um prazer tão grande. Tão grande.

(Obs: não tenho a intenção de, com esse texto, propagar filosofia barata de “largue tudo e siga seus sonhos”, porque a realidade é bem diferente do que dizem os empreendedores de palco. Eu reconheço que, apesar das minhas dificuldades, sou privilegiada por optar por esse tipo de vida. Esse aqui foi apenas um relato puramente pessoal)

[Literatura] Porque desperdiço meu “talento” escrevendo livro Malhação: e porque eu gosto tanto

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(A Pequena Sereia, por Arthur Rackham)

Recentemente, estava eu conversando com uma pessoa querida sobre literatura – saliento que eu gosto bastante de conversar com esse amigo sobre livros, pois temos gostos relativamente parecidos  e isso gera boas discussões. Eis que, durante um momento acalorado da conversa, surge a seguinte afirmação por parte dele:

“Não sei porque você desperdiça seu talento escrevendo livro Malhação”

Minha primeira reação foi ficar calada, meio surpresa, meio espantada, meio sem saber como reagir. Não é de hoje que eu sei que meu amigo não aprecia literatura voltada para jovens, então não fiquei tão abismada pela afirmação. A questão aqui é que eu não entendi se isso foi um elogio, uma crítica ou uma desvalorização federal ao meu trabalho. Só sei que sorri de forma amarelada e continuei conversando sobre outros assuntos, evitando voltar o foco da conversa para mim.
Mas o fato é que isso me fez pensar. E ao invés de me sentir elogiada por ser considerada talentosa, me senti extremamente ofendida. Triste até, porque jamais me senti desperdiçando tempo por dedicar minhas duas publicações (incluindo a terceira que está por vir) a um público adolescente. Não fiquei com raiva do meu amigo porque eu respeito a sua opinião, porém é inevitável não se sentir mal por isso.
Foi então que eu resolvi dissertar um pouco sobre o assunto – e explicar porque eu dedico minha escrita a uma faixa etária que é tão desprezada.
Vamos começar pelo ponto que: não acredito em talento nato. Se tem uma coisa que a faculdade de Design me ensinou é que talento é algo pífio se você tiver predisposição e boa vontade. Se você gosta de escrever, escreva. Se gosta de desenhar, desenhe. Existirá um momento em que a prática intensa e o estudo vão te tornar um artista melhor. Mas se você faz tudo isso com maestria desde os três anos de idade, só posso te dar os parabéns e afirmar que você é um caso entre mil. Para a maioria das pessoas, a coisa só funciona com muito esforço.
Por isso, eu não me considero exatamente talentosa – me considero muito, muito esforçada. Há quem diga que eu sou boa escritora, mas, se pegarem os cadernos em que eu escrevia minhas histórias de bruxas e alienígenas com onze anos, com certeza iriam querer chorar.  Logo, não nasci como a Kamile de 22 anos: eu pratiquei muito para chegar no meu nível atual e levei anos para isso.
Salientado isso, vamos ao segundo ponto: não tenho o menor interesse em ser escritora academicista. Admiro quem escreve pela paixão à linguagem e se empenha em fazer construções lexicais extremamente bonitas, prezando muito mais pela linguagem do que pela história em si. São textos bonitos de se ler e eu gosto bastante de alguns, mas não esperem que eu reproduza isso – e simplesmente porque não me interessa. Posso ler e gostar de trabalhos que sigam essa linha, porém não é meu estilo e não será algo que farei. É como gosto musical: não me esperem me encontrar num show de forró ou num baile funk, assim como não esperem que eu lance um livro que será aclamado como obra prima pelos acadêmicos. Não tenho a menor vontade.
Terceiro ponto: livros com temática infanto-juvenil e juvenil são extremamente importantes para o crescimento do leitor. Você pode até não gostar de livros direcionados para essa faixa etária e ter começado suas leituras com Dostoiévski, mas nem todo mundo é como você. Tenho uma amiga que perdeu o prazer pela leitura quando a escola a obrigou a ler clássicos literários sem antes prepará-la como leitora para essas obras, mais ou menos quando ela tinha treze anos de idade. Fico me perguntando se, caso ela tivesse continuado a ler os livros do Pedro Bandeira e da Giselda Laporta Nicolelis – dois autores que nós líamos muito, isso teria acontecido.
O leitor que está amadurecendo precisa de livros que conversem com a sua faixa etária, que possam despertar o prazer da leitura para, futuramente, ele conseguir ler os clássicos sem sofrimento e apreciando o que está lendo. E se ninguém se propuser a escrever para esses jovens, quem o fará? Quem vai mostrar a um adolescente que ler é tão legal quanto ir a um cinema? Quem vai poder mostrar a essa garotada heróis que passam pelas mesmas dúvidas e transformações da adolescência? E outra: será que trabalhos de grandes escritores juvenis têm menos qualidade literária por serem direcionados a um público jovem? Será que devemos desprezar o que C.S. Lewis, J. K. Rowlling, Pedro Bandeira, Paula Pimenta, Rick Riordan, John Green e Babi Dewet fizeram porque eles são para pré-adolescentes e adolescentes? Eu acredito que não.
Dito isso, entro no meu último ponto: eu gosto MUITO de trabalhar com adolescentes. E essa é uma das principais questões a meu ver. Eu gosto de ver minhas priminhas de doze e onze anos falando que querem ler meus livros, interessadas pelo assunto deles. Eu gosto de quando a irmã mais nova de uma das minhas melhores amigas fala para mim que gostou tanto de Outubro quanto de Yume e fica super feliz em conversar sobre livros comigo. E um dos momentos mais emocionantes para mim como escritora foi conversar com minha leitora de dezoito anos e ver que ela ficou feliz por me encontrar – e que havia amado Yume. Essas são coisas que aquecem o meu coração e que me fazem sentir que meu trabalho valeu algo, sim.
É uma escolha minha “desperdiçar meu talento com adolescentes”. Não que isso implique que tudo que eu produzir será direcionado para esse público – até porque, como escritora e amante da linguagem, gosto sempre de me explorar e descobrir até onde posso ir -, mas eu escolhi conversar com esses meninos através dos meus livros, poder incentivá-los à leitura da mesma forma que fizeram comigo quando eu tinha a idade deles. Posso não ser a mestra nas construções sintáticas ou uma pessoa que será aclamada pela academia, porém, desde que comecei a escrever, jamais pensei em ser elogiada como uma nova Machado de Assis: eu gosto de contar histórias e isso é tudo.  E enquanto eu tiver pessoas ao meu redor, materializadas no papel e prontas para ouvir o que tenho a dizer, continuarei contando minhas histórias – com teor de Malhação ou não.