[Fisheye] Os desenhos de Juliana Rabelo

Ter um personagem meu feito pela Juliana Rabelo sempre foi um sonho. Acompanho o trabalho da Ju há muito tempo (desde quando éramos duas menininhas dividindo o transporte escolar, lá em meados de 2002) e vi a evolução dos desenhos dela. Quando comecei a conceber a Ravena, sabia que queria vê-la retratada pelas mãos habilidosas da Ju.

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(Ravena e Daniel – primeiros estudos feitos em 2013)

Eu me apaixonei tanto pelas coisas que a Juliana fazia com os meus personagens, pelo entusiasmo e pelo carinho que ela sempre demonstrou com a minha história, que a perturbei bastante por outros desenhos (cliente chata, Ju! Eu sei!). Juliana simplesmente entrou de cabeça no universo de Fisheye e conseguiu retratar os meus personagens da forma como eu os imaginava. Não dava para apenas eu ter em mãos as belezas que a Ju fez e, dessa forma, eu e a Marina Avila montamos as recompensas do financiamento coletivo.

Você confere agora toda a beleza dos desenhos da Juliana Rabelo para Fisheye.

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(Marcador)

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(Print em A5)

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(Não perturbe)

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Acesse a campanha aqui + Leia o primeiro capítulo aqui

[Fisheye] O que é retinose pigmentar?

(Retina saudável x retina com retinose pigmentar)

Meus olhos são como canudos, Mick, só me permitem enxergar por um buraquinho. E com o tempo, a abertura deles vai diminuir muito, até que a fenda deixe de existir.

Fisheye – Capítulo 8

Falar sobre retinose pigmentar (RP) é um pouco complicado principalmente por conta de dois fatores: o primeiro e mais importante é que não sou médica; e o segundo é que meu contato com a doença veio através da concepção da Ravena. Estudei muito sobre o tema? Com certeza. Conversei com pessoas que sofrem com isso? Sem dúvidas. Mas parece que sempre vai faltar algum detalhe pra contar, algum ponto para ressaltar. Ainda assim, vou tentar explicar o mais rápido e didático o possível o que consegui aprender sobre a RP ao longo desses quatro anos concebendo Fisheye.

Em poucas linhas, retinose pigmentar, ou retinose pigmentosa, é uma distrofia dos cones e bastonetes, células localizadas na retina que são responsáveis por transformar a luz visível no impulso nervoso que segue para o cérebro. A doença é hereditária e, normalmente, tem uma progressão lenta; porém mutações genéticas podem acelerar o processo. A RP é a maior causa da cegueira na população economicamente ativa no Brasil e no mundo (dados retirados daqui), e estima-se que 1 a cada 4.000 pessoas carrega esse mal consigo.

 

(Demonstração da diferença entre uma visão saudável e a visão de quem tem retinose pigmentar)

O quadro clínico típico se manifesta na dificuldade de se adaptar ao escuro, chegando ao nível da cegueira noturna, e na perda do campo visual periférico, que pode se agravar e levar o indivíduo à cegueira. O comum é que a visão noturna piore durante a infância; o campo periférico, na adolescência e a visão central, na vida adulta. Além disso, também é típico que a RP acometa ambos os olhos de forma simétrica, mas como genética é algo que não possui regras, nem sempre é nesse sentido que a doença caminha. Tudo depende do corpo da pessoa.

Me acostumei, porém. Ninguém me disse que aquilo não era normal porque acreditei que todo mundo via as coisas como eu. Não há como saber como os outros enxergam e, por isso, acabei generalizando as minhas próprias dificuldades. Pura lógica, obviamente. “Se eu vejo assim, então fulano também”. Não dava para definir se a minha visão era melhor ou pior que da maioria. Só eu sabia como meus olhos funcionavam.
Ou acreditava saber.

Fisheye – Capítulo 4

O diagnóstico geralmente é dado através de exames complementares, tais como a eletrorretinografia, o campo visual, a sensibilidade ao contraste e a angiografia fluoresceínica. Infelizmente, a retinose pigmentar ainda não tem cura. O que se tem no momento são suplementos que tentam barrar o avanço da doença, enquanto pesquisadores procuram formas de evitar a degeneração da retina e recuperar as células já lesadas. Inclusive, há alguns profissionais mal-intencionados que divulgam “tratamentos” para o problema, enganando assim pacientes e suas famílias. É preciso tomar muito cuidado com essas informações!

Há muitos sites bacanas e completos sobre o assunto, que falam de uma forma de fácil compreensão para quem não é da área. Durante as minhas pesquisas, me baseei muito nos artigos do Retina Brasil e do Bengala Legal e nos depoimentos que coletei nos grupos sobre retinose pigmentar no Facebook. Além disso, o vlog da Talita Muniz é incrível e super didático! Confere só um dos vídeos:

Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouquinho mais sobre a RP e o universo da Ravena. :) Acesse a campanha de Fisheye aqui + leia o primeiro capítulo aqui.

[Fisheye] Como tudo aconteceu

Já faz algum tempo que falei como geralmente o processo criativo funciona para mim (e você pode ler esse post aqui). Em Fisheye, as coisas não saíram tão programadinhas e bonitinhas como exemplifiquei na vez passada. Na verdade, foi uma montanha russa de emoções, com momentos que variavam entre “uau, arrasei!” e “nunca mais vou escrever na vida, eu sou uma fraaaaaude!”.

Mas não priemos cânico e vamos pelo começo. A ideia não é nova: na verdade, o brotinho do que viria ser Fisheye aconteceu no início de 2011, com um conto que comecei a escrever e nunca terminei (por pura preguiça mesmo). Como de costume, tudo aconteceu quando redescobri um cd antigo da minha mãe e passei o dia escutando Wonderful Tonight, do Clapton. Na época, eu tinha acabado de ler O Corcunda de Notre Dame e estava bastante mexida com a ideia do “feio belo” que tanto Victor Hugo trabalhou no seu romance, como também é a temática do conto “A Bela e a Fera” (que li pouco tempo depois). Foi daí que surgiu o impulso pra falar sobre crescimento.

(Obrigada, Saoirse Ronan, sua linda, por ter me inspirado durante todo esse tempo)

No ano seguinte, resolvi reaproveitar a ideia do conto inacabado e transformá-lo num romance sobre alguém que precisasse passar por uma brusca mudança na vida, para um edital da Petrobrás. Foi daí que surgiu a Ravena (que no início se chamava Christine por causa d’O Fantasma da Ópera e mudou de nome por sugestão do Diego). Já a retinose pigmentar veio alguns meses depois da primeira vez que a Ravena se sentou do meu lado e disse: “vem cá, tenho uma história pra te contar”. Eu ainda estava procurando a mola propulsora para a história acontecer, e a ideia veio durante uma conversa com uma amiga minha (oi, Karol F. <3) no shopping, durante uma agradável tarde de agosto/setembro de 2012. O foco nunca foi a RP em si, mas sim as transformações que a doença traz para a personagem. Só que deu trabalho. Muito trabalho. Não foi à toa que demorei quatro anos.

Antes de começar a história em si, me afundei em um universo de pesquisas, pesquisas e mais pesquisas. Entrei em contato com médicos, fui atrás de artigos sobre medicina que tratassem do assunto, liguei para associações de pessoas com RP, entrei em grupos no Facebook destinados ao assunto, procurei blogs e sites, visitei o Instituto Hélio Góes (conhecido popularmente como Instituto dos Cegos) e fiz até os exames necessários para detectar a doença. Todo esse processo me ajudou a não apenas entender como a doença age, mas também como é o dia a dia de quem convive com a retinose pigmentar, mesmo que um pouquinho. Tentei transferir o que aprendi com essas pessoas para a Ravena, associando isso ao crescimento dela. Foi uma imersão completa e que tá difícil de lidar agora que tudo acabou. Ficaram resquícios.

O processo da escrita foi tão sofrido quanto. Sabe o que falei lá em cima sobre picos de autoestima e baixa estima? Foi mais ou menos isso. O período mais forte de produção foi entre 2013 e 2014, permeado por muitos bloqueios criativo. Muitos. Como a história exigia uma carga extra emocional e de sensibilidade, nem sempre eu conseguia escrever. E, na maioria das vezes, eu não estava nem um pouco satisfeita.

Em 2014, quando terminei a primeira versão (e até falei sobre isso neste post aqui), praticamente olhei tudo que tinha feito e disse: “não tá legal”. Fisheye foi o livro com o qual fui mais crítica e exigente, outro motivo pelo qual ele demorou tanto tempo para ser produzido. Foram páginas e mais páginas de anotações em vários cadernos, ideias para roteiros que foram abandonadas, possíveis falas escritas em post-its espalhados pela casa, muitos e-mails trocados com a Alba (anjo da minha vida). Isso para não falar dos sentimentos controversos; ora eu achava que havia alcançado minha melhor performance, ora eu acreditava que deveria jogar tudo pro ar e viver de vender a minha arte na praia. Ainda bem que deu tudo certo no final <3

E enfim, chegamos ao financiamento coletivo. Eu já flertava com a ideia há algum tempo, principalmente porque sou uma entusiasta do Catarse e já apoiei uma série de projetos. Mais ou menos nesse tempo, eu e a Marina Avila começamos a cogitar a hipótese da Wish abraçar Fisheye como sua casa editorial, o que nos motivou a inciarmos a campanha de arrecadação. Agora é esperar o lançamento em abril <3

Espero ter conseguido sanar um pouco da curiosidade de vocês com este post! Acesse a campanha de Fisheye aqui + leia o primeiro capítulo aqui.

EDIT: me esqueci de falar um detalhe super importante! Quem de vocês ouviu falar do livro pela primeira vez quando ele ainda era Os Olhos de Ravena? :)

Sobre 2016 e umas coisas mais

(AMIGA, SE CONTROLA!)

2016 foi um ano bem ruim para várias pessoas. Para mim, em partes.

Costumo dizer que 2015 foi um ano em que eu não vivi, tanto que passou em branco na minha vida. 2016 foi o contrário, eu vivi intensamente: crises de ansiedade severas, 17 horas fora de casa diariamente, um trabalho que não me trazia nenhuma satisfação profissional ou pessoal, uma faculdade que consumia minha alma mais do que eu gostaria, e várias passagens no hospital para tomar umas injeções básicas de Fenergan. Minha pele papocou de uma forma que, em toda uma vida convivendo com TAG, nunca havia acontecido. Não gosto nem de lembrar.

Mas mesmo com essa parte bastante ruim, houve os seus bons momentos. Ter me formado e me ver livre da pressão que a faculdade é foi o ponto mais alto do ano. Eu não vi minha formatura como um momento feliz, de transição, final de ciclo ou nada do gênero: vi como uma carta de alforria que libertava grande parte do meu tempo para me dedicar a outras coisas, inclusive à minha saúde. Se eu olhar por esse lado, posso dizer com convicção que fiquei muito satisfeita por ter me formado.

E mesmo tendo de lidar com a pior crise de ansiedade da minha vida, consegui encontrar um ponto positivo nisso. Se não fosse por ela, talvez eu jamais tivesse me dado a oportunidade de me conhecer melhor. Comecei uma terapia que não apenas me respeitava, mas que também me fazia questionar várias coisas que sempre aceitei sem muita resistência. Aprendi que, acima de qualquer coisa, o mais importante é entender como você funciona e como você pode se respeitar nesse processo. Autoconhecimento foi o maior presente que 2016 me trouxe, mas não sem antes ter muito sofrimento e muito desgaste físico e emocional.

(porém, se me perguntarem se valeu a pena, ainda vou dizer que não. Preferia não ter me machucado e me maltratado tanto por causa disso)

Também não posso deixar de mencionar: ter voltado ao mundo dos livros foi muito, muito gratificante. Saber que posso escrever mais uma vez, sem a preocupação de “olha, isso não vai te dar dinheiro” e sem a pressão de ter de publicar algo novo a cada ano, trouxe uma sensação de paz que jamais imaginei. Assim como me dedicar a outras coisas na minha vida que eu sentia tanta falta, como os meus blogs, a fotografia, a literatura, o estudo de línguas estrangeiras. É um sentimento parecido com um “voltar às origens”.

No resumo: 2016 foi um ano bom? Não, não foi. Mas me trouxe muitos ensinamentos que vão me preparar não apenas para 2017, como para todos os que virão a seguir. Apesar de tanto sofrimento, me sinto tranquila por ter um pouco mais de autonomia sobre mim.

E vamos em frente.

Feliz ano novo para todos.

[Fisheye] Tudo o que você precisa saber sobre financiamento coletivo

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Uma semana atrás, comecei a campanha de financiamento coletivo de Fisheye. Ainda faltam quase dois meses para o projeto encerrar, mas já estamos com 73% da meta arrecadada! Uau! Muito obrigada, galera! Vocês são demais <3
Porém, por mais que a campanha esteja sendo um sucesso, ainda vejo muitas pessoas sem compreender direito o que estou fazendo e o que é financiamento coletivo. Por essa razão, resolvi fazer um post bem rápido para explicar isso.

Em poucas linhas, financiamento coletivo (ou crowdfunding no original em inglês) é uma arrecadação de fundos para projetos, sejam eles criativos, como é o meu caso, empreendimentos, ações sociais e por aí vai. É uma ideia baseada na economia colaborativa (saiba mais sobre isso clicando aqui), em que as pessoas se identificam com aquilo que você está propondo e contribuem financeiramente com quanto podem para tirar a sua ideia do papel. O Kickante, uma das plataformas brasileiras de crowdfunging, fez um vídeo rápido e didático sobre o assunto.

Uma das marcas do crowdfunding é a troca: as pessoas contribuem e recebem recompensas por isso, o que ajuda na conexão entre apoiadores e o seu projeto. No caso de Fisheye, por exemplo, meus apoiadores são retribuídos de formas diferentes dependendo do valor da sua ajuda: eles podem receber o PDF do livro com seus nomes nos agradecimentos; ou o livro com pôsteres, marcadores e “não-perturbe”, ou até mesmo ter o logotipo da marca deles na impressão! Quando algumas pessoas não conseguem compreender muito bem como funciona, costumo explicar que é como se você comprasse meu livro na pré-venda e, de quebra, ainda levasse uns mimos muito maneiros.

O financiamento coletivo, como deu para perceber, funciona sem burocracias. Você não precisa, por exemplo, bater na porta de bancos pedindo aquele empréstimo para a sua ideia ganhar forma – muito pelo contrário, você entra em contato direto com seu público-alvo para convencê-lo a apoiar a sua campanha. Deu para perceber que, apesar da falta de burocracia, é algo que dá um bocado de trabalho, né? É preciso suar muito a camisa para conseguir conquistar apoiadores, montar o planejamento e estar sempre online. Além de tudo isso, tem o grande fator de que nem sempre é fácil pedir ajuda. A minha diva maravilhosa Amanda Palmer foi essencial para mim no momento em que decidi fazer a campanha para Fisheye. Olha aí o que ela disse na incrível palestra dela para o TED:

Espero ter conseguido explicar um pouco mais sobre o que é financiamento coletivo e como ele funciona. E, para não perder o costume, acesse a minha campanha aqui + leia o primeiro capítulo de Fisheye aqui.

Obrigada a todos! <3