[Livros] “Kamile, cadê seus livros antigos?”

É bem comum eu ser abordada por pessoas interessadas nos meus trabalhos antigos. Por causa da série de perguntas que recebo com certa frequência, fiz esse post bem rapidinho para esclarecer as dúvidas:

1 – Edição física de Outubro

A edição física de Outubro é aquela pela qual meus leitores mais me pedem – e um dos meus maiores sonhos. Cheguei a ter uma capa completa junto com a diagramação, mas, infelizmente, não vai rolar imprimir uma tiragem nova de Outubro. Sei que é um pouco decepcionante afirmar isso, principalmente porque cheguei a alimentar esperanças de rodar alguns exemplares (quando eu ainda tinha uma condição financeira mais favorável). Como uma última tentativa, até cogitei mandar o livro para a Create Space, o serviço de impressão de livros indies da Amazon, só que não rolou. :(

2 – Onde foi parar Yume?

Yume foi o meu primeiro livro (inclusive, ele tem uma marca linda de leitores no Skoob. Valeu, galera!) e, como qualquer primeiro job, veio cheio de falhas de principiante. Comecei a escrevê-lo com 14 anos, terminei aos 17. Era uma menina escrevendo, com 0 de experiências, estudo e leituras. Mas a história tinha muito pano pra manga que dava para ter explorado melhor – só que não aos 17, com uma cabeça tão imatura.
Foi por perceber isso que, em 2014, retirei Yume até mesmo da Amazon. E, pela mesma razão, estou desde o segundo semestre de 2014 trabalhando num roteiro baseado no meu primeiro livro. Não entendam errado, eu não estou reescrevendo Yume: estou transformando-o em um novo livro, o que explica porque ele anda tão sumido. É bastante bacana voltar ao universo que criei aos 14 exatamente dez anos depois, com uma nova visão decorrente das experiências adquiridas. Não tenho data para concluí-lo ou lançá-lo e, por enquanto, estou me divertindo com a possibilidade dessa mudança e desse novo olhar. Vamos ver no que vai dar.

Basicamente é isso, queridos. Espero ter esclarecido as dúvidas de vocês! Nos vemos na próxima.

O abuso do computador

Tem dias que eu olho pro computador e tenho abuso.

É natural que aconteça algo do tipo com quem trabalha integralmente com a ferramenta. Sento de frente para ele sete horas da manhã e às vezes estico até de noite. Ora sou do design, ora sou da revisão/redação. E conforme vou trabalhando, cansando o cérebro, a vontade de escrever entra num buraco negro e atravessa universos alternativos que eu nem sabia que existiam.

Tento ser um pouco mais maleável comigo mesma. “Vai fazer outra coisa, mulher. É só um momento”. Mas mentes criativas costumam se culpar quando não criam e não produzem. E ao mesmo tempo em que estou cansada, fico aflita por não estar criando, estudando, fazendo qualquer coisa. É um ciclo sem fim, que mina minha produtividade e me deixa exausta. As coisas pioram quando não escrevo nada.

Ano passado e no início desse ano, mal pude escrever. Isso me fazia me sentir ainda mais culpada, mais infértil e mais frustrada, principalmente quando via outros colegas de profissão (tanto do design quanto da escrita) produzindo em escala quase industrial. Cheguei a pensar se as coisas funcionavam realmente assim para meus colegas, se eles conseguiam escrever sempre com o mesmo ânimo e o mesmo ardor apaixonado que demonstravam via redes sociais. Eu me frustrava mais ainda por não me sentir assim.

Era como se eu não tivesse uma razão para existir. Demorou um bocado eu compreender que tá tudo bem não ter saco para verbalizar nenhuma das cenas que maquino na minha cabeça. Que não tem problema eu adiar um livro novo porque concluí um há pouco tempo e ainda não estou pronta para respirar aquele mais recente universo. Ou que é bom ficar longe do computador e dormir com o celular no modo avião. Não tem problema eu arrumar o quarto quando estou sem saco para trabalhar com a minha criatividade, ver Netflix, sair com os amigos, passar um tempo com o namorido ou mesmo bater perna sozinha e ir na minha cafeteria favorita. Ainda não internalizei muito bem essa convicção, mas estou me esforçando. O cérebro precisa respirar.

E não há mal algum nisso.

[Diário] Nova série: a saga do corpo

Nesse ano, resolvi tentar perder peso. Tenho uma série de fatores para isso: pés doloridos, autoestima que não tá muito legal, roupas encalhadas no guarda-roupas (dinheiro pra comprar as “brusinhas” não tá nascendo em árvore, minha gente). Como essa não é uma batalha muito fácil, quis compartilhar aqui no blog não apenas essa saga, mas também a minha sempre conturbada relação com o meu corpo.
Eu não quero, sob hipótese alguma, receber mensagens de incentivo (“vai, você vai conseguir!”) ou relembrar que sou linda e empoderada. De alguma forma, os dois lados da moeda estão me fazendo mal: o primeiro porque as pessoas reafirmam que há algo de errado comigo, quando eu sei que não há, o segundo porque é frustrante não me ver do jeito que as pessoas me enxergam. Minha intenção com essa série é compartilhar experiências e impressões.
Pra começar a história, vou colar aqui um post desabafo que fiz no início do ano passado.
Espero que vocês gostem.

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[Fisheye] Os desenhos de Juliana Rabelo

Ter um personagem meu feito pela Juliana Rabelo sempre foi um sonho. Acompanho o trabalho da Ju há muito tempo (desde quando éramos duas menininhas dividindo o transporte escolar, lá em meados de 2002) e vi a evolução dos desenhos dela. Quando comecei a conceber a Ravena, sabia que queria vê-la retratada pelas mãos habilidosas da Ju.

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(Ravena e Daniel – primeiros estudos feitos em 2013)

Eu me apaixonei tanto pelas coisas que a Juliana fazia com os meus personagens, pelo entusiasmo e pelo carinho que ela sempre demonstrou com a minha história, que a perturbei bastante por outros desenhos (cliente chata, Ju! Eu sei!). Juliana simplesmente entrou de cabeça no universo de Fisheye e conseguiu retratar os meus personagens da forma como eu os imaginava. Não dava para apenas eu ter em mãos as belezas que a Ju fez e, dessa forma, eu e a Marina Avila montamos as recompensas do financiamento coletivo.

Você confere agora toda a beleza dos desenhos da Juliana Rabelo para Fisheye.

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(Marcador)

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(Print em A5)

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(Não perturbe)

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Acesse a campanha aqui + Leia o primeiro capítulo aqui

[Fisheye] O que é retinose pigmentar?

(Retina saudável x retina com retinose pigmentar)

Meus olhos são como canudos, Mick, só me permitem enxergar por um buraquinho. E com o tempo, a abertura deles vai diminuir muito, até que a fenda deixe de existir.

Fisheye – Capítulo 8

Falar sobre retinose pigmentar (RP) é um pouco complicado principalmente por conta de dois fatores: o primeiro e mais importante é que não sou médica; e o segundo é que meu contato com a doença veio através da concepção da Ravena. Estudei muito sobre o tema? Com certeza. Conversei com pessoas que sofrem com isso? Sem dúvidas. Mas parece que sempre vai faltar algum detalhe pra contar, algum ponto para ressaltar. Ainda assim, vou tentar explicar o mais rápido e didático o possível o que consegui aprender sobre a RP ao longo desses quatro anos concebendo Fisheye.

Em poucas linhas, retinose pigmentar, ou retinose pigmentosa, é uma distrofia dos cones e bastonetes, células localizadas na retina que são responsáveis por transformar a luz visível no impulso nervoso que segue para o cérebro. A doença é hereditária e, normalmente, tem uma progressão lenta; porém mutações genéticas podem acelerar o processo. A RP é a maior causa da cegueira na população economicamente ativa no Brasil e no mundo (dados retirados daqui), e estima-se que 1 a cada 4.000 pessoas carrega esse mal consigo.

 

(Demonstração da diferença entre uma visão saudável e a visão de quem tem retinose pigmentar)

O quadro clínico típico se manifesta na dificuldade de se adaptar ao escuro, chegando ao nível da cegueira noturna, e na perda do campo visual periférico, que pode se agravar e levar o indivíduo à cegueira. O comum é que a visão noturna piore durante a infância; o campo periférico, na adolescência e a visão central, na vida adulta. Além disso, também é típico que a RP acometa ambos os olhos de forma simétrica, mas como genética é algo que não possui regras, nem sempre é nesse sentido que a doença caminha. Tudo depende do corpo da pessoa.

Me acostumei, porém. Ninguém me disse que aquilo não era normal porque acreditei que todo mundo via as coisas como eu. Não há como saber como os outros enxergam e, por isso, acabei generalizando as minhas próprias dificuldades. Pura lógica, obviamente. “Se eu vejo assim, então fulano também”. Não dava para definir se a minha visão era melhor ou pior que da maioria. Só eu sabia como meus olhos funcionavam.
Ou acreditava saber.

Fisheye – Capítulo 4

O diagnóstico geralmente é dado através de exames complementares, tais como a eletrorretinografia, o campo visual, a sensibilidade ao contraste e a angiografia fluoresceínica. Infelizmente, a retinose pigmentar ainda não tem cura. O que se tem no momento são suplementos que tentam barrar o avanço da doença, enquanto pesquisadores procuram formas de evitar a degeneração da retina e recuperar as células já lesadas. Inclusive, há alguns profissionais mal-intencionados que divulgam “tratamentos” para o problema, enganando assim pacientes e suas famílias. É preciso tomar muito cuidado com essas informações!

Há muitos sites bacanas e completos sobre o assunto, que falam de uma forma de fácil compreensão para quem não é da área. Durante as minhas pesquisas, me baseei muito nos artigos do Retina Brasil e do Bengala Legal e nos depoimentos que coletei nos grupos sobre retinose pigmentar no Facebook. Além disso, o vlog da Talita Muniz é incrível e super didático! Confere só um dos vídeos:

Espero ter ajudado vocês a entenderem um pouquinho mais sobre a RP e o universo da Ravena. :) Acesse a campanha de Fisheye aqui + leia o primeiro capítulo aqui.