[Manuscrito] Sim, “Outubro” vai voltar

Lançamento da primeira edição, janeiro de 2013

Quando trouxe Outubro às luzes do mundo, eu não imaginava que esta história despretensiosa fosse se tornar a queridinha de muita gente. De muita gente mesmo. Ao longo desses seis anos, recebi e ainda recebo mensagens de pessoas que leram o livro em algum momento e choraram um bocado e/ou me pedem para fazer uma versão física. Ou, o que é mais comum nos últimos tempos, que eu disponibilize novamente o livro.

Foi em 2016, pouco antes de fazer o financiamento coletivo de Fisheye, que resolvi tirar Outubro da Amazon. Isso porque a experiência com Fisheye foi intensa demais e me mostrou que, ao contrário, Outubro não estava pronto para ganhar o mundo – ainda. Apesar de ser o xodó de muitos leitores, preciso ser realista para admitir a imaturidade do meu segundo trabalho, tal qual Yume. O que não é de se admirar, considerando que eu era uma adolescente de 17/18 anos que não tinha muitas leituras e que estava tentando passar no Enem, o que explica o texto cheio de mesóclises de quem treinava bastante para a prova de redação. Inclusive, nessa última semana, participei de um bate-papo do Pintura das Palavras e dividi o sofá com os amigos Mateus Lins e Wilson Jr., do Escambau. Tal hora, o Wilson soltou que era interessante você deixar o que você produziu na adolescência… na adolescência.

Eu não poderia concordar mais, mesmo sabendo que há exceções à regra. Pena que eu não fui uma delas.

Fora outros problemas estruturais no texto, há ideias que não conversam mais com o contexto em que vivemos. Olho para Outubro e reconheço que existe uma história bem importante ali, mas que foi elaborada por mãos inexperientes. E há erros, muito erros. Não foi apenas pelo texto imaturo que Outubro foi retirado de circulação, como também porque sou responsável por aquilo que escrevo. E deixar um produto que tem ideias tão tortas a respeito de determinadas questões, além da falta de uma pesquisa mais aprofundada sobre alguns detalhes, seria irresponsabilidade da minha parte.

Foi isso que me motivou a editar novamente Outubro, amadurecendo não apenas o texto, como também a estrutura. Para acalmar aqueles que tanto gostam da história, posso assegurar que o desenrolar dos eventos continua o mesmo, embora os fatos não. Não posso não ser sincera, vai, sim, ser outro livro. A escritora que lançou Outubro em 2013 não é a mesma que está editando o manuscrito em 2019. Porém, é uma pessoa mais consciente daquilo que produz, o que vai refletir diretamente no produto que será publicado.

E por falar em publicação, não pretendo, de fato, lançar Outubro no formato físico. Talvez isso chateie alguns que sonham com essa versão colorida e com cheiro há algum tempo, mas há custos de impressão que eu não tenho como pagar. Também não cogito um financiamento coletivo. A intenção é que Outubro, quando for sair, seja disponibilizado digitalmente. Ainda estou decidindo a plataforma, mas isso é uma questão para outro post. Existe muito chão pela frente, e eu nem comecei a trabalhar.

No mais, espero trazer boas novidades em breve – novidades com cheiro de outono e cores de uma desenhista acolá que eu admiro muito. E espero, de coração, que vocês gostem dessa nova roupagem mais madura. 2020 será um ano agitado.

Vejo todos em breve.

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