[Livros] Seis anos

(um neném desses, bicho)

Me lembraram no domingo que fez seis anos desde que Yume alcançou as prateleiras de algumas pessoas. Pessoalmente, eu nem me recordava mais da data. Não paro muito para pensar a respeito, ainda que tenha sido um dia marcante por inúmeros motivos – o maior, com certeza, porque foi uma das despedidas que minha mãe teve antes de deixar este plano. Sempre que me perguntam a respeito, digo que não me arrependi de ter lançado um livro imaturo por causa disso.
Mas, voltemos às datas. Normalmente, dou mais importância aos múltiplos de cinco. Ano passado, aos cinco anos, escrevi um texto a respeito da comemoração. Em 2017, porém, acabei indo jantar numa hamburgueria com o namorido – “para comemorar Yume”, ele disse. Essa não foi exatamente a razão, porém aproveitamos a desculpa para comer num local um pouco mais caro e sem tanto peso na consciência.
O fato é que continuo pensativa. Sempre bate aquelas reflexões, aquele momento em que você olha para trás e pensa no que fez. No meu caso, não posso resumir de outra forma senão: “má que p*rra andei fazendo?”. Não que não me orgulhe das minhas conquistas, ainda que pequenas. Só acho que a gente precisa estar preparado para entrar de cabeça tão profundamente em alguma coisa.
Os mais otimistas dirão que não funciona exatamente dessa forma e que ninguém está preparado para nada. Concordo em até certo ponto, não exatamente no plano literário da coisa. Primeiro porque, na época em que Yume saiu, eu tinha apenas dezoito anos e era uma recém-caloura da universidade, com zero leituras e experiências. Yume não é de todo ruim, mas minha experiência hoje percebe uma série de erros que eu poderia ter evitado se tivesse sido mais paciente, um pouquinho mais. Como consumidora de livros literários, percebo os defeitos que o manuscrito tem, e não é à toa que penso seriamente em reescrevê-lo, sob o ponto de vista de uma Kamile um pouco mais amadurecida em termos narrativos e (por que não?) de experiências.
E, como se não bastasse, repeti o erro motivada por aquilo que eu deveria controlar: a pressa. Recentemente, fiz o curso de escrita narrativa que a Socorro Acioli (diva, deusa, rainha do Ceará) ofertou e, na última aula, a Socorro ressaltou bastante a questão do sistema nervoso. Parafraseou até Marina Colasanti quando esta veio para um evento literário na minha cidade: “é uma carreira que demora a decolar”. É preciso paciência, uma série de nãos e aprender com os erros cometidos durante o trajeto. Além disso, nas conversas que tive com a “Teacher”, ela sempre me falou da importância de ter bem claro os seus objetivos e o que você quer para a sua carreira. Sem isso, é muito fácil aceitar qualquer vintém que surge.
Que foi mais ou menos o que aconteceu comigo. Me deixei levar pela ansiedade e escutei comentários de fora a respeito do mercado que apenas pioraram a situação. Não teria, ainda assim, aberto mão do lançamento de Yume – como disse lá em cima, foi uma grande despedida que pude oferecer à minha mãe, e sei que ela partiu realizando um sonho que também era dela. Porém, se eu pudesse voltar ao tempo, teria “sossegado o meu bigode” como uma grande amiga costuma dizer. Eu ainda estou para completar vinte e cinco anos, veja só.
Se me perguntarem que destino quero dar àquilo que escrevo, serei sincera ao responder que pretendo estudar. Quero fazer o que não fiz desde que resolvi entrar nesse universo, seis anos atrás. O bom da vida é que nunca há tempo perdido o suficiente – e o bom de ter nascido em 1993 é saber que tenho mais alguns bons anos para consertar as coisas. Acho que esse é o melhor presente que posso me dar pela comemoração de seis anos de Yume.
Que venham os próximos agora.

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