Um processo criativo nada aquariano

Que eu escrevo desde pequena, a maioria aqui sabe. Mas quando eu era mais nova, as coisas simplesmente surgiam. Nunca parei pra pensar em coisas como processo criativo, brainstorming, chuva de ideias e por aí vai (até porque eu nem tinha noção do que isso era). Eu simplesmente sentava, pegava meus cadernos e deixava o negócio rolar.

Foi mais ou menos na época em que concebi Outubro que senti uma necessidade de me organizar (comecei a escrever Outubro com 17 anos, concluí com 18). Quem leu sabe que a história é intercalada entre momentos do passado e do presente, e isso exigiu de mim um modo diferenciado de trabalhar. Eu sabia o que queria dizer e como, mas precisava encaixar as coisas de modo que tudo fizesse sentido naquela linha cronológica. Foi a partir daí que adotei as listas para nunca mais abandonar.

(Tó, faz tudo isso aê)

Não sou e nunca fui uma pessoa cartesiana, mas um pouco de organização foi necessário para que eu conseguisse transformar as minhas ideias em textos. Então, basicamente as coisas acontecem da seguinte forma:

  1. Eureka!: tudo começa com música (é sério, eu não tô brincando). Normalmente, as ideias chegam depois de eu escutar algo que funciona como um gatilho, acionando aquela área do meu cérebro que o faz trabalhar incansavelmente. Preciso assumir que viagens de ônibus são ótimas para isso, porque é geralmente sentada perto da janela, com 0 nadas para fazer, que começo a criar universos, cenas, personagens e por aí vai.
  2. Bora anotar, minha filha?: eu anoto – e muito. Se não estiver com papel e caneta por perto, preciso perturbar meus amiguinhos pelo Whatsapp (te amo, Karol!). O cérebro é falho, e já perdi muita ideia maneira por causa disso. Em Fisheye, que passou por várias alterações, saí anotando o que aparecia em qualquer coisa onde pudesse escrever (sair catando essas anotações foi o lado difícil). Essa seria a fase do brainstorming propriamente dita, que é quando as coisas chegam sem muita lapidação.
  3. Listas: e é aqui que reside todo o meu quebra-cabeça. Desde Outubro, quando adotei o método de listar o que quero que aconteça e em ordem cronológica, nunca mais abri mão desse artifício. Inclusive, eu não consigo mais começar uma história se não souber por a+b o que vai acontecer. Começo colocando uma vaga ideia do que imagino, encaixo em capítulos e vou desenvolvendo tudo bem bonitinho. É só depois desse processo que sento a bunda na cadeira e vou escrever.
  4. Os extras: me ajuda bastante montar as playlists das histórias (já disse que música é meu motor criativo, né?) e pastas no Pinterest com referências. Isso me permite visualizar os personagens (encaixando, por exemplo, rostos de atores neles – o famigerado dreamcast), coisas relacionadas àquele universo, as roupas que eles usam e esse tipo de coisa. Parece meio louco, mas é um diferencial absurdo na hora de criar. Assim como designers e desenhistas precisam de alguma base, eu também necessito – e muito – de referências visuais!
    Outra coisa muito importante: antes de desenvolver algo, dependendo do tema, estudo bastante. O maior exemplo no momento é Fisheye. Para compor a Ravena e toda a problemática em torno da doença dela, entrei de cabeça no universo da Retinose Pigmentar. Conversei com pessoas que possuem a doença, participei de grupos dedicados a debates sobre o tema, fui ao Instituto dos Cegos da minha cidade, falei com médicos, me submeti aos exames que são necessários para detectar a RP… Me aprofundar nisso me deu mais propriedade para trabalhar a doença e dar mais verossimilhança à história da Ravena.

Basicamente, é assim que a coisa funciona para mim. Não sei se alguém aqui tem um método parecido com o meu, mas gostaria muito de saber como é o processo criativo de vocês! Afinal, é sempre bacana saber como a chuva de ideias chega para cada um =)

(Obs: amigos já me disseram várias vezes, ao verem meus caderninhos de ideias, que sou muito organizada. Eles não dizem o mesmo quando entram na minha casa)

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